Depois de tantos anos, finalmente consegui assistir a Estranhos no Paraíso. Ele é tão anos 80, mas ao mesmo tempo muito atual. Jamursh é tão lúcido.  Merece ser visto, revisto e muito discutido. Atualmente, o que me mais chama a minha atenção é a ausência de propósito dos personagens. Eles são tão alienados. Tão vazios.  Eles viajam de um lugar a outro, mas é um tanto faz em tudo.  ”This place sucks”, diz Eva. Eles são exilados, mas não há saudades de casa. E os Estados Unidos também não são uma promessa de vida nova. O filme é o anti-sonho americano. Esses personagens não pertencem a nada, não criam vínculos com nada.  Não têm paixão. O filme é como um labirinto, do qual não se tem saída. A não ser que aconteça algo quase mágico, como a grana que aparece no final. Mesmo assim, são personagens que não sabem o que fazer! É uma experiência de vida terrível.  Ou não. É só uma forma de encarar as coisas. Acho que todo mundo passa por isso de vez em quando. Eu já passei. Viver uma vida que não se quer, em um lugar detestável. Acontece e às vezes é isso, simplesmente não há alternativa.