Filme: O homem que mudou o jogo (Moneyball), EUA, 2011, Bennet Miller (dir).
O homem que mudou o jogo tem uma boa narrativa, forte, que nos segura na cadeira. Conta a história de um homem que testa novas ideias para gerenciar um time de baseball, mas, por isso mesmo, deve enfrentar toda a sorte de resistências e obstáculos. São estes que mantém a ansiedade e o suspense lá em cima durante toda a projeção.
A princípio, parece o mesmo enredo de vários filmes que focam a superação e usam o esporte como pano de fundo. Um time de jogadores medianos, fadado ao fracasso, é liderado por uma pessoa de gênio forte e teimosa que consegue superar as adversidades através da criatividade e do rompimento com o senso comum. É assim que a história se desenrola por mais de dois terços de sua duração.
Mas ao contrário do êxtase de uma plateia que aplaude efusivamente, de um troféu acompanhado de lágrimas, e de um treinador arremessado para cima por seus agradecidos jogadores, a narrativa aqui rompe com o óbvio para terminar, sutilmente, com uma derrota.
Quando o clímax passa, a história continua teimosamente e nos leva a um resultado agridoce. O tema da superação coletiva desaparece e, em seu lugar, Billy Beane, o personagem principal, pergunta: qual o sentido disso tudo? A fantasia dá lugar às escolhas do coração. A superação, no caso, se torna individual. É um homem que confronta os seus demônios.
Na construção da narrativa, esse caminho faz deste um filme bem interessante. Ele é totalmente focado no personagem principal, interpretado por Brad Pitt, a ponto de Phillip Saymor Hoffman ser, de fato, só um coadjuvante. Há um toque de filme independente, câmera na mão, imagens desfocadas, fotografia dura, ausência de glamour. O baseball não é o nosso forte, mas não atrapalha.
Pequeno, seguro, um tanto rebelde. Eis O Homem que mudou o jogo.
