Archives for the month of: fevereiro, 2012

Retirei da lista da Film Coment  os filmes que vi, acrescentei alguns, tirei outros e mudei um pouco a ordem. Eis a minha própria lista dos melhores de 2011:

1. Árvore da Vida, Terrence Malick, EUA

2. Melancolia, Lars von Trier, Dinamarca/França/Suécia/Alemanha

3. Sobre Deuses e Homens, 
Xavier Beauvois, França

4. A Pele que Habito, Pedro Almodóvar, Espanha

5. A Separação, Asghar Farhadi, Irã

6. Meia-Noite em Paris, Woody Allen, Espanha/EUA

7. O Artista, Michel Hazanavicius, França

8.Tio Boonmee que pode lembrar de suas vidas passadas, Apichatpong Weerasethakul, Tailandia/Reino Unido/França/Alemanha

9. O Palhaço, Selton Mello, Brasil

10. Cópia Fiel, Abbas Kiarostami, França/Itália/Bélgica

11. A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese, EUA

12. O Espião que Sabia Demais, Tomas Alfredson, Reino Unido/França/Alemanha

13. Incêndios,
 Denis Villeneuve, Canadea/França

14.  Um Conto Chinês, Sebastián Borensztein, Argentina

15.  Tomboy, Céline Sciamma, França

16.  Os Descendentes, Alexander Payne, EUA

17.  O Homem que Mudou o Jogo, Bennett Miller, EUA

18. Cavalo de Guerra, Steven Spielberg, EUA

19. Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte 2), Reino Unido

20. Missão Impossível IV, EUA

A Revista Film Content, da Film Society of Lincoln Center (NY), publicou uma lista com os 50 melhores títulos lançados nos EUA em 2011. Confira:

BEST FILMS OF 2011(Released theatrically in the U.S.)

1.    The Tree of Life Terrence Malick, U.S.

2.    Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives Apichatpong Weerasethakul, Thailand/U.K./France/Germany

3.    Melancholia  Lars von Trier, Denmark/Sweden/France/Germany

4.    A Separation Asghar Farhadi, Iran

5.    A Dangerous Method David Cronenberg, Canada/Germany

6.    Mysteries of Lisbon Raúl Ruiz, France/Portugal

7.    Certified Copy, directed by Abbas Kiarostami, France/Italy/Belgium

8.    Meek’s Cutoff, directed by Kelly Reichardt, U.S.

9.    Hugo, directed by Martin Scorsese, U.S.

10. Poetry Lee Chang-dong, South Korea

11. Film Socialisme Jean-Luc Godard, Switzerland

12. Le Havre Aki Kaurismäki, Finland/France

13. The Autobiography of Nicolae Ceausescu Andrei Ujica, Romania

14. Le quattro volte Michelangelo Frammartino, Italy/Germany/Switzerland

15. The Descendants Alexander Payne, U.S.

16. Nostalgia for the Light Patricio Guzmán, Chile/France/Germany

17. A Brighter Summer Day Edward Yang, Taiwan/Japan

18. Midnight in Paris Woody Allen, Spain/U.S.

19. Take Shelter Jeff Nichols, U.S.

20. Margaret Kenneth Lonergan, U.S.

21.  Shame Steve McQueen, U.K.

22.  Drive Nicolas Winding Refn, U.S.

23. Cave of Forgotten Dreams Werner Herzog, U.S.

24. Tinker Tailor Soldier Spy Tomas Alfredson, U.K./France/Germany

25. To Die Like a Man João Pedro Rodrigues, Portugal/France

26. The Interrupters Steve James, U.S.

27. The Artist
 Michel Hazanavicius, France

28. Tuesday, After Christmas Radu Muntean, Romania

29. Aurora Cristi Puiu, Romania

30. Weekend Andrew Haigh, U.K.

31. The Skin I Live In Pedro Almodóvar, Spain

32.  City of Life and Death
 Lu Chuan, China/Hong Kong

33. Contagion Steven Soderbergh, U.S.

34. Of Gods and Men,
Xavier Beauvois, France

35. Martha Marcy May Marlene Sean Durkin, U.S.

36. Bridesmaids Paul Feig, U.S.

37. The Trip Michael Winterbottom, U.K.

38. Moneyball Bennett Miller, U.S.

39. The Arbor Clio Barnard, U.K.

40. The Future
,Miranda July, U.S./Germany

41. Incendies
 Denis Villeneuve, Canada/France

42. Super 8 J.J. Abrams, U.S.

43. United Red Army Koji Wakamatsu, Japan

44. Road to Nowhere Monte Hellman, U.S.

45. Tabloid Errol Morris, U.S.

46. Rise of the Planet of the Apes Rupert Wyatt, U.S.

47. Terri
 Azazel Jacobs, U.S.

48. J. Edgar Clint Eastwood, U.S.

49. Jane Eyre Cary Fukunaga, U.K.

50. Pina
 Wim Wenders, Germany/France

Filme: A Dama de Ferro (The Iron Lady), EUA, 2011, Phyllida Loyd (dir).

Assisti a A Dama de Ferro, filme pelo qual Maryl Streep concorre ao seu 17o  Oscar ao interpretar a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.  Maryl está perfeita no papel, que representa em dois momentos: na maturidade (a vida pública) e na velhice (a vida privada).

O filme, no entanto, chama mais atenção pela licença poética na composição da personagem, do que pela narrativa.  Como figura histórica, Thatcher é, no mínimo, controversa. Como personagem, opta-se por retratá-la como uma estadista altiva, determinada e fiel aos seus princípios, lutando contra um mundo que não a entende. Discursos, frases de efeito e fatos históricos vão se sucedendo de maneira superficial. Falta antagonistas fortes para que aconteça conflito de fato.

Maryl Streep já fez personagens antipáticas. Em Dúvida, a irmã Aloysius Beauvier, personificação da Inquisição, é uma perseguidora implacável do padre Brendan Flynn, interpretado por Philip Saymor Hoffman. O conflito entre os dois é marcante, complexo e memorável. Sem falar na Miranda Priestly, de O Diabo Veste Prada, torturando seus assistentes.

O problema de A Dama de Ferro é que Meryl não divide a tela com ninguém, nem mesmo com o ator Jim Broadbent, que faz seu marido Denis. Por causa disso, Thatcher é um tanto plana. Mais, ela parece um pretexto para Maryl Streep provar mais uma vez que é uma grande atriz. E é isso que acaba acontecendo: não vamos ao cinema para ver a história da estadista inglesa, mas para ver Maryl Streep atuar.

Não há problema algum nisso, visto que Meryl faz, como sempre, um trabalho sério. Lá estão a caracterização perfeita, o sotaque primoroso e o figurino de tons azuis muito elegante.  Mas a narrativa fica comprometida. Os fatos marcantes são mostrados, os diálogos os descrevem, mas nada está em ação. Em A Rainha, que deu o Oscar a Helen Mirren, também temos o mesmo cuidado na caracterização da personagem. Mas, neste caso, os roteiristas tiveram o juízo de reduzir o enredo a um fato histórico: a morte da princesa Diana. Esse é o incidente que nos leva a conhecer Elizabeth II. E ainda temos Michael Sheen, como Tony Blair, fazendo um ótimo primeiro-ministro.

Em A Dama de Ferro, em nome da mulher forte exemplar, até a política é sacrificada. Para se manter no poder durante 11 anos, discursos e princípios morais são fundamentais, mas não são suficientes. É necessário muita habilidade para compor alianças, fazer concessões, ceder e exigir. O toma-lá-dá-cá não é invenção da política brasileira. Como essas nuances não são abordadas, a Thatcher de Maryl é poderosa, mas sem um lado sombrio, em um filme que ajuda a mitificá-la. Ela não poderia ter desejado melhor homenagem.

Uma alternativa seria entender cada fala como hipocrisia política. Assim, a leitura da oração de São Francisco e as justificativas para a Guerra das Malvinas seriam apenas retórica vazia. Disfarce. Mas não há indícios que permitam seguir por esse caminho. A personagem Margaret Thatcher é honestíssima e fala o que tiver que falar, doa a quem doer.

No final, o que importa mesmo é o Oscar. Nos últimos dias, tenho lido muito sobre a indicação de Meryl Streep ao prêmio. Mais uma vez, lá estará ela radiante, sorridente e simpática. Porém, há um problema sério nessa história toda. Ela é a recordista máxima de indicações: 17. Mas só levou duas. Uma, em 1980, por Kramer x Kramer e a outra, em 1983, por A Escolha de Sofia. Ela ganhou dois prêmios justamente quando Margaret Thatcher estava no auge: há 30 anos.

Isso significa também que ela perdeu 15 vezes. Se fosse comigo, eu estaria bem chateada.  Imagino que para as vencedoras, além de ganhar a estatueta, há aquele sabor de ser em cima de uma unanimidade mundial. Claro que só a indicação em si é um prêmio, mas… Defendo que Maryl Streep deixe de ser uma coadjuvante nas cerimônias do Oscar e ganhe outra estatueta de vez! Que ela deixe de ser a figura hors concours e a escada de talentos menores.  E antes que decida fazer Sarah Palin, Eva Braun, Barbara Bush ou outra mulher conservadora, determinada, porém muito desqualificada.

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